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O estudo demonstra que as falhas evidenciadas não estão nos participantes surdos, mas nas dificuldades do sistema de avaliação

A agora doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Santa Cruz do Sul, Neoli Paulina da Silva Gabe, realizou a defesa de tese intitulada “Educação, Sujeitos Surdos e Ensino Superior: Produção de Verdades sobre Surdos que Ingressam na Universidade pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM)”. A banca de avaliação teve a presença do professor Guilherme Nichols, que é surdo e referência em Literatura e Cultura Surda, Libras e Educação de Surdos.

O trabalho foi orientado pelo professor Camilo Darsie e avaliado por uma banca composta por pesquisadores de diferentes instituições. Entre os avaliadores, Nichols é docente da Universidade Federal de São Carlos. Professor surdo e referência em Literatura e Cultura Surda, Libras e Educação de Surdos, Nichols destacou a relevância e a potência política da pesquisa, ressaltando sua contribuição para os debates contemporâneos sobre inclusão e avaliação.

Também integraram a banca as professoras Márcia Lise Lunardi-Lazzarin, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e Lilian Rodrigues Cruz, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os professores Felipe Gustsack e Betina Hillesheim, docentes da Unisc, também fizeram parte.

A tese problematiza os modos pelos quais se produzem “verdades” sobre estudantes surdos que buscam o ingresso no ensino superior por meio do ENEM, com ênfase na avaliação da redação. Ancorada na trajetória da autora como professora bilíngue de surdos e tradutora-intérprete de  Língua Brasileira de Sinais (Libras), a investigação articula experiência profissional, análise documental e problematização teórica, em diálogo com os estudos surdos na abordagem bilíngue.

O objeto central da análise é a Cartilha de Avaliação da Redação do Enem para Participantes Surdos ou com Deficiência Auditiva (2020–2024), compreendida como um dispositivo que regula modos de escrever, avaliar e reconhecer a diferença linguística. A pesquisa examinou ainda os editais de seleção e formação de avaliadores.

Ao mobilizar as sinopses estatísticas do Enem (2020–2024) como práticas que produzem classificações e visibilidades sobre os participantes surdos, a tese articula esses dados à noção de textualidade diferida, deslocando a compreensão do “erro” como falta para entendê-lo como expressão de outras lógicas de organização do dizer, ancoradas na experiência visual da Libras.

O estudo sustenta que os limites evidenciados nas avaliações não se encontram nos participantes surdos, mas no próprio sistema avaliativo, que insiste em enquadrar a diferença linguística em parâmetros previamente instituídos. “Ao mesmo tempo, a pesquisa convoca a pensar outras possibilidades de escrita e de expressão para o participante surdo, que não se restrinjam exclusivamente à centralidade da língua portuguesa normativa, abrindo espaço para o reconhecimento de outras textualidades ancoradas na experiência visual e na Libras”, fala o orientador, Camilo Darsie.

Inclusão também na defesa

Coerente com a proposta de pensar outras textualidades e práticas inclusivas, a defesa contou com tradutoras-intérpretes de Libras, garantindo a comunicação entre surdos e ouvintes ao longo de toda a sessão. Um dos pontos mais elogiados pela banca foi a organização didática da apresentação, que incluiu mapas conceituais antes de cada capítulo - sintetizando visualmente os argumentos - e um resumo sinalizado em Libras. 

Neoli centro durante apresentação da tese

Neoli (centro) na defesa da tese

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O estudo demonstra que as falhas evidenciadas não estão nos participantes surdos, mas nas dificuldades do sistema de avaliação

A agora doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Santa Cruz do Sul, Neoli Paulina da Silva Gabe, realizou a defesa de tese intitulada “Educação, Sujeitos Surdos e Ensino Superior: Produção de Verdades sobre Surdos que Ingressam na Universidade pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM)”. A banca de avaliação teve a presença do professor Guilherme Nichols, que é surdo e referência em Literatura e Cultura Surda, Libras e Educação de Surdos.

O trabalho foi orientado pelo professor Camilo Darsie e avaliado por uma banca composta por pesquisadores de diferentes instituições. Entre os avaliadores, Nichols é docente da Universidade Federal de São Carlos. Professor surdo e referência em Literatura e Cultura Surda, Libras e Educação de Surdos, Nichols destacou a relevância e a potência política da pesquisa, ressaltando sua contribuição para os debates contemporâneos sobre inclusão e avaliação.

Também integraram a banca as professoras Márcia Lise Lunardi-Lazzarin, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e Lilian Rodrigues Cruz, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os professores Felipe Gustsack e Betina Hillesheim, docentes da Unisc, também fizeram parte.

A tese problematiza os modos pelos quais se produzem “verdades” sobre estudantes surdos que buscam o ingresso no ensino superior por meio do ENEM, com ênfase na avaliação da redação. Ancorada na trajetória da autora como professora bilíngue de surdos e tradutora-intérprete de  Língua Brasileira de Sinais (Libras), a investigação articula experiência profissional, análise documental e problematização teórica, em diálogo com os estudos surdos na abordagem bilíngue.

O objeto central da análise é a Cartilha de Avaliação da Redação do Enem para Participantes Surdos ou com Deficiência Auditiva (2020–2024), compreendida como um dispositivo que regula modos de escrever, avaliar e reconhecer a diferença linguística. A pesquisa examinou ainda os editais de seleção e formação de avaliadores.

Ao mobilizar as sinopses estatísticas do Enem (2020–2024) como práticas que produzem classificações e visibilidades sobre os participantes surdos, a tese articula esses dados à noção de textualidade diferida, deslocando a compreensão do “erro” como falta para entendê-lo como expressão de outras lógicas de organização do dizer, ancoradas na experiência visual da Libras.

O estudo sustenta que os limites evidenciados nas avaliações não se encontram nos participantes surdos, mas no próprio sistema avaliativo, que insiste em enquadrar a diferença linguística em parâmetros previamente instituídos. “Ao mesmo tempo, a pesquisa convoca a pensar outras possibilidades de escrita e de expressão para o participante surdo, que não se restrinjam exclusivamente à centralidade da língua portuguesa normativa, abrindo espaço para o reconhecimento de outras textualidades ancoradas na experiência visual e na Libras”, fala o orientador, Camilo Darsie.

Inclusão também na defesa

Coerente com a proposta de pensar outras textualidades e práticas inclusivas, a defesa contou com tradutoras-intérpretes de Libras, garantindo a comunicação entre surdos e ouvintes ao longo de toda a sessão. Um dos pontos mais elogiados pela banca foi a organização didática da apresentação, que incluiu mapas conceituais antes de cada capítulo - sintetizando visualmente os argumentos - e um resumo sinalizado em Libras. 

Neoli centro durante apresentação da tese

Neoli (centro) na defesa da tese

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