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O Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu) da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) indicou o doutor Onorio Isaias de Moura para a 21ª edição do Prêmio CAPES de Tese 2026. Primeiro pesquisador indígena a doutorar-se pela Instituição, o egresso produziu a tese “Jamré, o princípio de educação Kaingang: a recriação da vida de Kamé e Kanhru”, com orientação da professora Ana Luisa Teixeira de Menezes. 

Onorio é formado em Relações Públicas na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), mestre e doutor em Educação pela Unisc. Também integra a Comissão de Diversidade, Acessibilidade e Ações Afirmativas da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação (Anped). Nasceu na terra indígena de Nonoai e, segundo ele, a escolha pelo tema da tese foi para evidenciar a importância dos saberes indígenas para a sociedade e para uma educação mais humanizada, considerando a invisibilidade da história e da cultura dos povos indígenas, suas sabedorias, filosofias e ciências milenares na sociedade e na academia.

A pesquisa foi desenvolvida ao longo dos 4 anos de doutorado. Onorio pesquisou, tanto na terra indígena de Nonoai, em aldeias indígenas próximas, como na aldeia Foxá de Lajeado, e na própria Unisc, com base teórica/metodológica. Também, a partir de bibliotecas vivas que são os Kófas (velhos), anciãos e sábios Kaingang. Como principal referência e inspiração teve o avô, Kerãnh Nisio da Silva, que tem mais de 100 anos de idade. Ainda, mais de 10 interlocutores de forma direta e indireta. 

O trabalho propõe ampliar espaços para reflexões e teorizações, na pesquisa e na produção científica acadêmica, por meio de uma relação intercultural de colaboração, compartilhamento e de troca de saberes, evidenciando e efetivando os conhecimentos Kaingang. “Os modos indígenas de fazer ciência ainda são timidamente experimentados na academia, um espaço de ensino altamente influenciado pelo pensamento europeu, colonizador e hegemônico. Apesar de toda a influência e interferência dos colonizadores, visando introduzir, integrar e assimilar, no sentido de dissolução dos povos indígenas, estes têm firmado espaços fundamentais para a ciência moderna”, ressalta Onorio. 

Com a indicação, a pesquisa de Onorio irá concorrer com outras teses de 50 áreas distintas. Promovido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o prêmio é concedido às melhores teses defendidas no ano anterior às indicações. O anúncio dos vencedores será feito no segundo semestre.

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Professora Ana Luisa e Onorio Foto Bruna Lovato

Professora Ana Luisa e Onorio na apresentação da tese em setembro de 2025 - Fotos: Bruna Lovato/Arquivo

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