Dentro da programação da VII Mostra de Extensão, Ciência e Tecnologia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), ocorre no dia 29 de outubro, às 19h15, no Anfiteatro do bloco 18, a apresentação de nove trabalhos desenvolvidos por estudantes dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu da Universidade. A atividade integra a VII Mostra da Pós-Graduação Stricto Sensu, que tem como objetivo divulgar os cursos de mestrado e doutorado da Instituição, por meio da apresentação de um trabalho indicado por cada Programa.
Um dos estudos escolhidos tem como título “Os desafios do sistema bancário tradicional na entrega de alternativas financeiras às startups”, do mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Administração, Alan Ricardo Fogliarini Lisboa, com orientação do professor Heron Sergio Moreira Begnis e coorientação do professor Fernando Batista Bandeira da Fontoura.
O interesse pelo tema surgiu a partir da experiência profissional do pesquisador no atendimento a empresas no Banco do Brasil. Durante sua trajetória, Alan acompanhou situações em que empreendedores buscavam recursos para negócios inovadores e encontravam dificuldades diante dos modelos tradicionais de financiamento. “Muitas vezes me deparei com questionamentos dos clientes, ou mesmo insatisfação, sobre a dificuldade de buscar recursos em negócios de inovação, ou disruptivos”, relata.
A questão também foi discutida em conversas com o Sebrae e levou a um questionamento que contribuiu para o desenvolvimento do estudo: por que startups que já alcançaram determinado grau de maturidade ainda recorrem ao capital de investidores em vez de utilizar alternativas de crédito oferecidas pelos bancos tradicionais?
Um espaço entre a oferta e a necessidade
Embora a pesquisa ainda esteja em fase de análise final dos dados, os resultados preliminares apontam para a existência de uma lacuna entre as alternativas oferecidas pelas instituições financeiras e as necessidades específicas das startups.
De acordo com Alan, parte desse cenário está relacionada à dificuldade das startups em apresentar informações, planejamentos e projeções capazes de oferecer maior segurança para a avaliação de crédito. Do outro lado, os bancos também enfrentam limitações para mensurar riscos em negócios nos quais a incerteza é uma característica presente. “É possível identificar um limbo negocial entre o que os bancos oferecem e o que o ecossistema de inovação deseja”, explica.
Para o pesquisador, a questão não envolve apenas a disponibilidade de recursos, mas também a forma como o risco é analisado e distribuído entre os diferentes agentes envolvidos.
Outro ponto identificado na pesquisa é a preferência entre as startups de um risco compartilhado. Segundo os dados preliminares, embora o custo do financiamento seja considerado, a possibilidade de dividir tanto os resultados positivos quanto eventuais perdas aparece como uma questão relevante para as empresas. “O ponto mais debatido é o compartilhamento, seja do sucesso ou do fracasso”, afirma Alan.
Entre as alternativas apontadas estão modelos de garantias diferentes dos tradicionalmente utilizados e análises mais dinâmicas, que considerem características específicas dos negócios inovadores.
Na perspectiva dos bancos, existe o reconhecimento da necessidade de evolução dos modelos. Entretanto, exigências relacionadas ao capital das instituições, à restrição da remuneração em operações de crédito e à estrutura legal dos empréstimos ainda dificultam a adoção de mecanismos mais flexíveis de compartilhamento de riscos.
A pesquisa também aponta para a possibilidade de uma atuação mais integrada entre os diferentes agentes que compõem o ecossistema de inovação. Bancos, fundos de venture, investidores anjo e incubadoras poderiam atuar de maneira conjunta, seja de análise de risco, seja de capacitação do cliente. “A saída mais provável é uma orquestração do modelo de financiamento do ecossistema, com os atores trabalhando em conjunto e complementarmente”, avalia o pesquisador.
Nesse modelo, diferentes formas de capital poderiam ser utilizadas conforme o estágio de desenvolvimento da empresa, incluindo fomento, participação societária (equity), crédito tradicional e cessão de direitos creditórios. A proposta permitiria, conforme Alan, criar um encadeamento dos bons negócios. Assim, cada agente poderia atuar na etapa em que possui maior especialidade, ao mesmo tempo em que teria maior segurança para investir ao identificar os possíveis financiadores das etapas seguintes.
Inscrições abertas para turmas de 2027
Os Programas de Pós-Graduação Mestrado e Doutorado da Unisc estão com inscrições abertas, incluindo o Mestrado e Doutorado em Administração. Os interessados podem realizar a inscrição até o dia 13 de novembro, em unisc.br/mestradoedoutorado.
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