Dentro da programação da VII Mostra de Extensão, Ciência e Tecnologia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), ocorre no dia 29 de outubro, às 19h15, no Auditório do Memorial, a apresentação de nove trabalhos desenvolvidos por estudantes dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu da Universidade. A atividade integra a VII Mostra da Pós-Graduação Stricto Sensu, que tem como objetivo divulgar os cursos de mestrado e doutorado da Instituição, por meio da apresentação de um trabalho indicado por cada Programa.
Um dos estudos escolhidos tem como título “Cuidado da população idosa trans e travesti e as disputas discursivas na Política Nacional de Cuidados”, da advogada e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional, Lívia Pacheco da Cruz, com orientação da professora Silvia Areosa. A ausência das velhices trans e travestis nas discussões sobre políticas públicas de cuidado é um dos pontos centrais da pesquisa. O estudo analisa a relação dessa população com a Política Nacional de Cuidados e os desafios para garantir um atendimento mais inclusivo.
A aproximação de Lívia com o tema surgiu a partir de sua trajetória como professora e pesquisadora nas áreas de direitos da seguridade social, envelhecimento e políticas públicas. A pandemia também contribuiu para ampliar seu olhar sobre o assunto. “Ela tornou visível que o cuidado sustenta a vida, mas segue sendo distribuído de forma profundamente desigual”, destaca.
Segundo a pesquisadora, embora o Brasil tenha avançado na discussão do cuidado como direito, trabalho e responsabilidade pública, as pessoas trans e travestis idosas ainda permanecem pouco contempladas. “Envelhecer sendo uma pessoa trans ou travesti não é apenas uma questão de idade; muitas vezes, é quase um privilégio”, afirma.
Entre os principais desafios identificados estão os rompimentos familiares, a dificuldade de acesso ao emprego formal e à previdência, a pobreza, a solidão e a violência acumulada ao longo da vida. Soma-se a isso o receio de sofrer discriminação justamente nos serviços que deveriam oferecer acolhimento. A pesquisa também aponta a falta de dados e indicadores específicos como um obstáculo à formulação de políticas públicas. “Sem dados, prioridades e ações concretas, a inclusão fica muito abstrata”, explica Lívia.
Outro aspecto destacado é a importância das redes comunitárias formadas por amizades, relações de amadrinhamento e apoio mútuo. Essas estruturas podem ser fundamentais para pessoas que chegam à velhice sem suporte familiar. Para a pesquisadora, porém, elas não devem substituir a responsabilidade do poder público. “É preciso inclusive questionar a ideia de família como único lugar legítimo do cuidado e reconhecer outras formas de parentesco, convivência e apoio”, ressalta.
Entre os avanços necessários, Lívia defende o reconhecimento explícito das pessoas trans e travestis idosas como sujeitos de direito nas políticas de cuidado, além da produção de dados sobre identidade de gênero, raça, território, renda, moradia e redes de apoio. A formação de profissionais, o respeito ao nome e à identidade de gênero e a criação de serviços territorializados também são apontados como medidas importantes.
Na perspectiva do Desenvolvimento Regional, a pesquisa reforça a necessidade de observar as particularidades de cada território. “Cuidado também é mobilidade, moradia, renda, acesso à saúde, convivência e pertencimento territorial”, conclui a pesquisadora.
Turmas 2027 - Inscrições abertas
Os Programas de Pós-Graduação Mestrado e Doutorado da Unisc estão com inscrições abertas, incluindo o Mestrado e Doutorado em Desenvolvimento Regional. Os interessados podem realizar a inscrição até o dia 13 de novembro, em unisc.br/mestradoedoutorado.

Lívia Pacheco da Cruz


