Ernesto Lauer decidiu que o conforto da aposentadoria não era suficiente para preencher a vitalidade de quem sempre buscou o conhecimento
No dia em que completou exatos 80 anos de vida, em 4 de março de 2026, Ernesto Arno Lauer não escolheu apenas celebrar, mas inaugurar um novo capítulo de sua história. Nascido em São Leopoldo, em 1946 e radicado em Montenegro desde a infância, o agora acadêmico do Curso de Psicologia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) traz na bagagem uma trajetória de fôlego: de balconista na loja do pai a promotor de justiça, com passagens por diversas comarcas gaúchas e pela coordenação das Promotorias da Infância e da Juventude, em Porto Alegre. Casado há 58 anos com Nereida Marisa, pai de três filhos e avô de seis netos, ele decidiu que o conforto não era suficiente para preencher a vitalidade de quem sempre buscou o conhecimento.
A decisão de retornar aos bancos universitários foi motivada por um misto de autodescoberta e preservação da saúde mental. Após se aposentar e atuar como assessor jurídico até os 75 anos, a inatividade revelou-se um desafio inesperado e decepcionante. O estalo para a mudança veio da observação das "mazelas" da alma e de um episódio triste na família: a morte de um primo, vítima de depressão. "Esse foi meu primeiro motivo para voltar a estudar", revela Lauer, que hoje alia os cuidados com a saúde através de atividades físicas e a necessidade urgente de manter o cérebro funcionando em sua plenitude.
A escolha pela Psicologia na Unisc em Montenegro não foi por acaso. Após tentativas anteriores em outros cursos e instituições, o entusiasmo de ver a graduação disponível em sua cidade foi o combustível necessário para superar os "compassos de espera". Já em sala de aula, o ex-promotor alia as leis com os estudos da profundidade do comportamento humano, sendo provocado logo nos primeiros dias por questões existenciais que o fizeram refletir sobre sua própria identidade.
Aos poucos, a inibição natural de ser um aluno octogenário cede espaço ao coleguismo, provando que a convivência intergeracional é um antídoto contra a solidão. Para Lauer, o curso é uma ferramenta de higidez psíquica, reafirmando que, enquanto houver capacidade de raciocinar e vontade de aprender, o tempo é apenas um detalhe na construção de novos propósitos.


Ernesto comemorou o aniversário no campus de Montenegro


