No dia 6 de agosto, a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) realizou a palestra "Agenda 2030: Os ODS como caminho para a transformação social". O evento, voltado para técnico-administrativos, docentes e estagiários, ocorreu na sala 101 e foi conduzido pela professora Rôssana Parizotto Ribeiro, sócia e consultora da People ESG.
O encontro teve como foco principal discutir como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e as práticas de ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa) podem ser incorporados à rotina de uma Universidade Comunitária, transformando-se em ferramentas efetivas de impacto na região.
Para Rôssana, incorporar a Agenda 2030 na rotina acadêmica é reconhecer que o papel da instituição vai muito além da sala de aula. "Uma universidade comunitária está inserida em um território e tem uma responsabilidade muito grande com o desenvolvimento social, econômico e ambiental dessa região", destaca a consultora. Segundo ela, os ODS funcionam como uma linguagem comum, ajudando a conectar diferentes iniciativas que a Unisc já desenvolve, como projetos de pesquisa e extensão, aos grandes desafios globais. Ao mapear e organizar essas ações, a universidade ganha direcionamento e, principalmente, a possibilidade de mensurar impactos concretos na comunidade.
Do local ao global: ações práticas e ESG
Durante a palestra, foi debatido como ações aparentemente simples do dia a dia dialogam com a agenda global. Um exemplo recente na Unisc foi o plantio de mudas de árvores no campus. Rôssana explica que essa iniciativa está diretamente ligada ao ODS 13 (ação contra a mudança climática), ao ODS 15 (vida terrestre) e ao ODS 11 (cidades e comunidades sustentáveis). "O mais interessante é compreender o conjunto de impactos que ela pode gerar: melhoria da qualidade ambiental, biodiversidade, conforto térmico e educação ambiental", ressalta.
Além das ações externas, a gestão corporativa da instituição também foi pauta. A união entre os ODS e o ESG exige que a Universidade olhe para os próprios processos. Isso envolve desde compras responsáveis, gestão de resíduos e consumo de energia, até saúde e bem-estar dos colaboradores e transparência institucional. "Uma Universidade que forma profissionais para o futuro também precisa olhar para dentro e perguntar: estamos praticando aquilo que ensinamos?", provoca a especialista.
Um dos grandes desafios apontados para o avanço da Agenda 2030 é transformar a sustentabilidade em algo próximo do cotidiano das pessoas, engajando estudantes e a comunidade regional a serem protagonistas de soluções reais. A métrica para o sucesso dessa jornada não está apenas na quantidade de ações, mas no impacto gerado. "Não basta dizer quantos projetos foram realizados. Precisamos perguntar: qual transformação esses projetos produziram? Houve melhoria de algum indicador social ou ambiental?", orienta a professora Rôssana.
Outro ponto alto da discussão foi a abordagem do ODS 18, uma iniciativa brasileira que propõe a inclusão da igualdade étnico-racial como dimensão fundamental do desenvolvimento sustentável. A consultora enfatizou que a educação tem papel estratégico no enfrentamento ao racismo estrutural. "Não existe desenvolvimento verdadeiramente sustentável se ele não for também inclusivo, equitativo e capaz de garantir dignidade e oportunidades para todas as pessoas", concluiu.
Colaboração: Estagiária Eduarda Beulke Gomes
sob supervisão das jornalistas Tatiane Luci Rodrigues e Bruna Lovato



