Nos dias 27 e 29 de maio, em Porto Alegre, ocorreu o XIII Seminário Nacional de Avaliação do Ensino e Pesquisa em Estudos Urbanos e Regionais (SEPEPUR), promovido pela Associação Nacional de Programas de Pós-graduação em Planejamento Urbano e Regional (ANPUR). Representando a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e o Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR), o professor Everton Luiz Simon, docente permanente do Programa, participou das atividades.
Integrando a programação do SEPEPUR, ocorreu o VII Encontro das Revistas Científicas de Planejamento Urbano e Regional (ERCIPUR) e o I Encontro Latinoamericano de Planejamento Urbano e Regional (ELAPUR). O professor Simon integrou a mesa/conferência do ERCIPUR, representando a Revista REDES - Revista do PPGDR da Unisc. A mesa foi coordenada pela professora Raquel Fernandes Queiroz de Medeiros (UFRN), atual coordenadora de Avaliação da Área de Planejamento Urbano e Regional e Demografia (PLURD) da CAPES, e contou ainda com a participação da professora Geisa Bugs representante da Revista URBE, e da professora Thais Portela da Revista Cadernos (PPG-AU/FAUFBA).
A edição deste ano abordou o uso da inteligência artificial na produção científica, tema que tem se imposto como questão editorial de primeira ordem diante da incorporação acelerada de sistemas generativos às rotinas de pesquisa, escrita e avaliação acadêmica.
Em sua intervenção, o professor problematizou o atual estágio de regulamentação editorial brasileiro a partir de dados que evidenciam a defasagem entre o avanço tecnológico e a maturidade das respostas normativas do campo. Conforme levantamento realizado em 2025, sobre periódicos científicos do Brasil, apenas cerca de 10% das revistas analisadas dispõem de diretrizes específicas sobre o uso de IA, percentual que sinaliza uma assimetria preocupante entre a velocidade de difusão das ferramentas generativas e a capacidade institucional de produzir parâmetros éticos consistentes.
No plano da regulamentação nacional, a discussão articulou-se ao marco recentemente instituído pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) por meio da Portaria nº 2.664, de 6 de março de 2026, que instituiu a nova Política de Integridade na Atividade Científica, configurando a primeira normativa nacional brasileira a estabelecer diretrizes sobre o uso de inteligência artificial generativa (IAG) em pesquisas acadêmicas.
A portaria estrutura-se em torno de três eixos centrais que dialogam diretamente com as preocupações editoriais discutidas no ERCIPUR: a obrigatoriedade de declaração do uso de ferramentas de IA generativa em qualquer fase do desenvolvimento da pesquisa, incluindo concepção, redação, análise de dados e submissão, com especificação da ferramenta utilizada e da respectiva finalidade; a vedação expressa à submissão de conteúdo gerado por IA como se fosse de autoria humana, permanecendo os autores como únicos responsáveis pela integridade do conteúdo final e por eventuais imprecisões ou plágios decorrentes do uso da tecnologia; e a proibição do emprego de IA na elaboração de pareceres científicos, em razão dos riscos à imparcialidade e à qualidade das avaliações.
No plano internacional, a discussão articulou-se aos debates consolidados por editoras como Elsevier, Springer e Taylor & Francis, bem como às recomendações do Committee on Publication Ethics (COPE), que convergem em torno de quatro pontos: a IA pode auxiliar em revisão linguística, organização textual e suporte técnico; seu uso deve ser declarado no manuscrito; não pode figurar como autora; e a responsabilidade integral pelo conteúdo, pelos dados, pelas interpretações e pelas referências permanece com os autores.
No plano institucional, o professor anunciou que a Revista REDES, embora ainda não disponha de política editorial específica consolidada, constituiu recentemente um Grupo de Trabalho dedicado à elaboração de diretrizes sobre o uso de IA, com previsão de finalização até o término do semestre. O GT vem examinando referenciais nacionais e internacionais com vistas à produção de documento normativo aderente às boas práticas editoriais contemporâneas e compatível com o perfil interdisciplinar do periódico.
A apresentação detalhou os eixos estruturantes da minuta em elaboração, organizados em torno dos princípios de transparência, responsabilidade autoral, integridade científica, rastreabilidade, ética em pesquisa e proteção de dados, com previsão de seção específica de declaração de uso de IA imediatamente anterior às referências, vedação à fabricação de dados, à criação de referências inexistentes e à submissão de textos integralmente produzidos por sistemas generativos sem elaboração intelectual substantiva.
Além da participação do professor Everton Simon, a professora Claudia Tirelli representou a coordenação do PPGDR/UNISC no XIII SEPEPUR e no VII ERCIPUR. A discente Marieli Helfer Gehring, doutorando do PPGDR, participou do I ELAPUR.
O I ELAPUR constituiu-se em um importante espaço de integração acadêmica, intercâmbio científico e fortalecimento das redes de pesquisa na América Latina. Reunindo docentes, pesquisadores, estudantes e profissionais de diferentes países, o evento promoveu o debate de temas contemporâneos relacionados ao planejamento, ao desenvolvimento regional, às desigualdades territoriais, à sustentabilidade e às transformações socioeconômicas que marcam os territórios latino-americanos. Teve a parceria do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU/RS).
Saiba mais
O XIII SEPEPUR / VII ERCIPUR / I ELAPUR são organizados pela Diretoria da ANPUR (Gestão 2025/2027), em parceria com os Programas de Planejamento Urbano e Regional e de Geografia da UFRGS e o Programa de Desenvolvimento Regional da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). O apoio é da coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).



