Entender o perfil genético do tumor pode ajudar médicos a tomarem decisões mais precisas sobre o tratamento e auxiliar no desenvolvimento de novos medicamentos
Pesquisa feita por meio do Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde (PPGPS) da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) revela como pequenas variações no DNA (polimorfismos genéticos) podem influenciar a evolução e o destino de pacientes com gliomas (tumores cerebrais agressivos). O estudo, realizado pela mestra em Promoção da Saúde Erika Barreto Knod e pelas professoras orientadoras Andréia Rosane de Moura Valim e Lia Gonçalves Possuelo, analisou como essas alterações genéticas afetam a velocidade com que o tumor cresce e o tempo de vida do paciente.
A pesquisadora relatou que a genética é um tema que sempre esteve presente, desde o início da graduação em Biomedicina na Unisc. Logo no primeiro ano, teve a oportunidade de ingressar como bolsista de iniciação científica, onde aprendeu e participou de projetos na área da saúde e da genética. “Posteriormente, quando me inscrevi no mestrado, já sabia que seria esta a minha linha de pesquisa. Já o estudo dos gliomas surgiu a partir de um projeto que estava em andamento e percebi que era uma oportunidade de integrar meu interesse pela genética com uma aplicação clínica relevante, especialmente no contexto de tumores cerebrais, que ainda apresentam muitos desafios em termos de prognóstico e tratamento”, explica.
A maior dificuldade ao longo da pesquisa, segundo Erika, foi utilizar dados previamente coletados, entre 2019 e 2023, visto que existia o risco da presença de dados incompletos que não poderiam ser estudados, e assim o banco de informações diminuía. Além disso, a mestranda reforça que o Brasil é considerado um país altamente heterogêneo do ponto de vista genético, resultado da miscigenação entre diferentes populações ao longo da história. Essa diversidade faz com que a frequência de determinadas variantes genéticas possa variar bastante em comparação com populações de outros países, que muitas vezes são mais homogêneas ou já bem caracterizadas geneticamente. “Por isso, resultados obtidos no exterior nem sempre podem ser aplicados diretamente a nossa população, reforçando a importância de estudos locais para compreender melhor essas diferenças.”
Erika acredita que a análise dessas variações genéticas pode ser usada na rotina dos hospitais para decidir o tratamento de um paciente, mas ainda é um caminho em construção. “A análise de variações genéticas tem um grande potencial para contribuir com o tratamento personalizado para cada paciente. No caso dos gliomas, identificar alterações genéticas específicas pode ajudar a prever a evolução da doença, a resposta ao tratamento e até mesmo orientar a escolha de terapias mais adequadas. No entanto, para que isso seja incorporado à rotina hospitalar, ainda são necessários analisar questões relacionadas a custo e acesso.”
Na prática, entender o perfil genético do tumor pode ajudar os médicos a tomar decisões mais precisas sobre o tratamento. “Por exemplo, se sabemos que um paciente tem uma alteração genética associada a melhor prognóstico, isso pode influenciar o acompanhamento clínico e a escolha de terapias menos agressivas. Por outro lado, identificar alterações relacionadas a uma evolução mais rápida da doença pode indicar a necessidade de um tratamento mais intensivo desde o início”, ressalta.
Além disso, essas informações podem contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos direcionados a alvos específicos do tumor. Os dados também ajudam a ampliar o conhecimento sobre os gliomas e são um passo importante para que, no futuro, o diagnóstico seja mais preciso e o tratamento seja personalizado para cada pessoa. “Tudo isso, em conjunto, aumenta as chances de oferecer um tratamento mais eficaz, com potencial para prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, reforça.
Texto: Estagiária Eduarda Buelke Gomes
sob supervisão das jornalistas Tatiane Luci Rodrigues e Bruna Lovato

Erika Barreto Knod


