Na última semana, a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) realizou o IV Congresso Internacional de Ensino Médio e Educação Integral na América Latina. Neste ano, o tema abordado é “Reconfigurações da escola pública, disputas políticas e reformas educacionais”. A mesa de abertura do evento foi composta pelo professor Eder da Silva Silveira, representante da coordenação do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu) e um dos responsáveis pela coordenação geral do evento. No evento, de forma presencial, estiveram presentes os painelistas Sebastian Fuentes, da Universidade Flacso, da Argentina, e Mateus Saraiva, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Além deles, participaram virtualmente as professoras Nancy Montes, também da Flacso, e Monica Ribeiro da Silva, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Logo após a abertura, o professor Roberto Rafael Dias da Silva, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), falou aos presentes. O convidado tratou do tema “Políticas de Ensino Médio e a reconfiguração política da escola pública no Brasil: uma leitura pedagógica”. O evento se consolida a cada edição e reforça a importância de debater o tema: "Estamos na quarta edição deste congresso bianual. O evento teve uma ampliação de participantes de todo o Brasil e do exterior, com integrantes da Argentina e da Colômbia. Viemos constituindo uma rede orgânica de pesquisadores e professores que estudam o Ensino Médio e a Educação Secundária na América Latina.”, pontuou o professor Eder.
Questionado sobre as mudanças efetivas trazidas pelas recentes reformas do setor e os impactos visíveis para professores e gestores, o docente destacou que o período é marcado por constantes transições curriculares, desafios na organização do trabalho pedagógico e pela expansão expressiva do tempo integral. "As mudanças já são concretas, mas sua extensão não comprova, por si só, melhoria da formação. A avaliação precisa considerar a aprendizagem, a redução das desigualdades, as condições de trabalho e a autonomia pedagógica. Ampliar a jornada, modificar o currículo e expandir a formação técnica precisam vir acompanhados de condições para que os jovens permaneçam na escola e tenham acesso a uma formação científica, cultural e crítica consistente", pontua o pesquisador, chamando a atenção também para os desafios na infraestrutura das redes de ensino e para a necessidade de preservação da autonomia das escolas frente a modelos curriculares externos.
No decorrer da semana, através de eventos, conferências, minicursos e a troca de experiências entre pesquisadores de diferentes regiões do Brasil e da Argentina a Unisc foi polo de discussão central sobre os rumos da educação secundária e integral.
O coordenador do evento, profesor Eder da Silva Silveira (centro) na mesa de abertura,entre os painelistas.


Professor Roberto Rafael Dias da Silva, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos)
* Texto e fotos: Estagiário Lurian Pinto Schultz, supervisionado pelas jornalistas Tatiane Luci Rodrigues e Bruna Ortiz Lovato


