Estudantes do Curso de Direito de Montenegro pesquisaram sobre as percepções sociais da violência sexual infantojuvenil no município
Estudantes do Curso de Direito da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), do campus de Montenegro, participaram de uma pesquisa de campo sobre as percepções sociais da violência sexual infantojuvenil no município, em parceria com o Comitê Intersetorial de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e Prefeitura Municipal. A pesquisa demonstrou que a população reconhece o ambiente doméstico como principal espaço de ocorrência da violência: 79,7% dos participantes indicaram a residência como o local mais comum dos abusos.
Antes do início das atividades de campo, os estudantes passaram por um processo de capacitação e orientação, recebendo preparo específico para a abordagem dos questionários. Após essa etapa, os acadêmicos atuaram diretamente na coleta de dados em diversas regiões da cidade, colaborando de forma significativa para a obtenção de 739 respostas consideradas válidas.
A pesquisa mostrou também que 78,2% apontaram familiares próximos como os agressores mais frequentes. Outro dado que chama atenção é a fragilidade do conhecimento sobre denúncia. Embora 88,8% dos respondentes afirmem saber o que é violência sexual contra crianças e adolescentes, apenas 50,5% disseram saber como denunciar um caso.
A divulgação tem como objetivo ampliar o debate sobre o tema, fortalecer as ações de prevenção e contribuir para a construção de estratégias eficazes de cuidado, acolhimento e garantia de direitos das crianças e adolescentes. A iniciativa contou ainda com o importante apoio do Núcleo de Ação Comunitária (NAC) da Unisc, que auxiliou na articulação das ações junto à comunidade e aos diferentes territórios do município.
Segundo a professora Karina Meneghetti Brendler, responsável pela disciplina, a atividade extensionista permitiu aos estudantes vivenciarem uma formação jurídica conectada às demandas reais da comunidade. “A curricularização da extensão aproxima os estudantes das problemáticas sociais concretas e fortalece uma formação mais humanizada, crítica e comprometida com os direitos humanos e com a proteção integral de crianças e adolescentes”, destaca.
A parceria entre Universidade, município e rede de proteção também evidencia a importância da construção coletiva de ações de enfrentamento à violência sexual infantojuvenil. “Atividades dessa magnitude fortalecem políticas públicas locais, qualificam diagnósticos sociais e demonstram o potencial transformador das ações extensionistas desenvolvidas em articulação com a comunidade”, comenta.
A atividade foi desenvolvida em 2025, com a proposta de curricularização da extensão, por razão do dia 18 de maio, alusivo ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e deverá subsidiar futuras ações de prevenção, campanhas educativas e fortalecimento da rede de proteção no município. O relatório técnico também recomenda a ampliação de campanhas permanentes, ações nas escolas e qualificação contínua dos profissionais da rede.
Além da contribuição científica e social, a experiência reforçou o papel da Unisc, como universidade comunitária, na produção de conhecimento aplicado às necessidades locais, promovendo integração entre ensino, pesquisa, extensão e comunidade.




