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A tecnologia vem para reduzir erros de medicação e ampliar o acesso a remédios, com doses personalizadas e custo mais baixo

Júlia Leão, egressa do Curso de Farmácia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), une ciência e empreendedorismo ao tornar-se pioneira no Brasil na utilização de impressoras 3D para a produção de medicamentos. Júlia é uma das fundadoras da formula3D, startup fundada em 2024, que usa a tecnologia para reduzir erros de medicação e ampliar o acesso a remédios, com doses personalizadas e custo mais baixo.

Mas a trajetória de Júlia na pesquisa, inclusive de medicamentos, começou bem antes, ainda na graduação, em 2016. Ela participou de projetos de iniciação científica,  atuando em pesquisas sobre tuberculose e tecnologia ambiental, com as professoras Lia Possuelo e Lisianne Benitez. Também estagiou em farmácia de manipulação veterinária e adquiriu experiência de estudo na Universidade do Porto, em Portugal, por meio de intercâmbio acadêmico pela Unisc.

Em 2021,  Júlia seguiu sua trajetória acadêmica no mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas em Porto Alegre, onde trabalhou com o desenvolvimento e caracterização de formas farmacêuticas de uso oral, voltadas para o tratamento de uma doença cardíaca em cães. No entanto, a pesquisadora relatou que durante a prática percebeu a dificuldade de administrar as doses aos animais, o que a fez encontrar um novo foco de pesquisa. 

“O meu projeto não foi tão simples. Os medicamentos que desenvolvi foram produzidos a partir de uma tecnologia super inovadora, a impressão 3D. Eu ingressei no grupo de pesquisa Nano3D, liderado pelo meu orientador, professor Ruy Beck e, coorientada pelo professor Diego de Andrade, que toparam o desafio de produzir medicamentos de uso veterinário por essa tecnologia. E é o tema da minha pesquisa até hoje no doutorado.”

Foi a partir daí que surgiu a Formula3D. Atualmente, a empresa criada em 2022 recebe suporte da Starts-HCPA, incubadora do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, e da Hestia, incubadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).  “Após diversos programas de aceleração, incubação e mentorias a startup foi fundada em fevereiro de 2024. Foram longos anos de aprendizado e desconstrução do perfil acadêmico para um perfil empreendedor, e entendendo a melhor forma de colocar nossa solução no mercado”, reflete. 

Júlia Leão

Júlia Leão

Como funciona a impressora?

Para a produção dos medicamentos, a pesquisadora esclarece que o remédio é desenhado em um software nas dimensões e formatos desejados. O arquivo criado nessa ferramenta é reproduzido pela impressora, que vai depositar o produto, com alta precisão, diretamente no material de embalagem. 

“Nós trabalhamos majoritariamente com uma técnica chamada Extrusão Semissólida (SSE - do inglês semisolid extrusion), que é uma técnica de extrusão muito similar a técnica popularmente conhecida dos filamentos que as pessoas usam, inclusive, para produzir objetos personalizados em casa. Na técnica de SSE, ao invés de se utilizar um filamento, nós utilizamos um semissólido (como géis, por exemplo) como material ou “tinta de impressão”. Esse semissólido é acondicionado em uma seringa, que é acoplada à impressora, onde se dá o processo de impressão.”

Formula3D 1

Trajetória acadêmica

Júlia é bacharel em Farmácia pela Unisc desde 2021. “Sou de Santa Cruz do Sul e desde muito nova tive uma grande influência na escola e incentivo em me envolver com a ciência. Durante o Ensino Médio conheci o Curso de Farmácia da Unisc e tive certeza de que gostaria de seguir nessa carreira.”

A pesquisadora ingressou na graduação em 2016 como bolsista pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) 100%, conquista que tem muito orgulho. “Logo que ingressei no Curso, busquei oportunidades de iniciação científica, pois eu queria me envolver e aproveitar o máximo de oportunidades que a Universidade poderia me oferecer. Comecei então como bolsista voluntária da professora Lia Possuelo e trabalhava no projeto de pesquisa sobre tuberculose. Foi aí que me encantei com a pesquisa. Com a professora Lia, que abriu a primeira porta da pesquisa na minha vida, dei o primeiro passo para todas as escolhas que tomei no futuro.”

Depois de pouco mais de 1 ano trabalhando com a professora Lia, Júlia teve a oportunidade de realizar um intercâmbio, via Programa de Mobilidade Acadêmica Internacional (Promai), na Unisc. Em 2017, ela ficou 1 ano estudando na Universidade do Porto, em Portugal. “Foi uma experiência muito importante na minha trajetória, de conhecimento de outra cultura, outro método de ensino, outra universidade, abriu meus horizontes.”

Quanto retornou, ainda fez mais um período de iniciação científica com a professora Lisiane Benitez, na área de Tecnologia Ambiental, e nesse período iniciaram os estágios da graduação. “Tive a oportunidade de fazer estágio em uma farmácia de manipulação veterinária e me apaixonei pela área, foi onde eu decidi que, se seguisse na carreira acadêmica, era isso que gostaria de pesquisar. E isso se concretizou, logo após a minha formatura eu passei na seleção de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas, com bolsa de dedicação exclusiva e me mudei para Porto Alegre em outubro de 2021.”

Durante o mestrado, trabalhou com o desenvolvimento e caracterização de formas farmacêuticas sólidas de uso oral voltadas para o tratamento de uma doença cardíaca em cães. “Era um dos tratamentos que eu mais manipulava durante meus estágios da graduação e visualizava no balcão as dificuldades de adesão ao tratamento por esses pacientes. Mas o meu projeto não foi tão simples, os medicamentos que desenvolvi foram produzidos a partir de uma tecnologia super inovadora, a impressão 3D. Eu ingressei no grupo de pesquisa Nano3D, liderado pelo meu orientador Ruy Beck e coorientada pelo Diego de Andrade, que toparam o desafio de produzir medicamentos de uso veterinário por essa tecnologia. E é o tema da minha pesquisa até hoje no doutorado”, completa.

E foi assim que a formula3D começou a tomar forma. Júlia sentia uma inquietação em ver o grande potencial de uso da tecnologia de impressão 3D para produção de medicamentos personalizados. Ela não queria que o trabalho acabasse apenas em uma publicação científica. “Eu queria mais! Queria ver a minha pesquisa seguir outro rumo, mudar vidas de verdade, sair da bancada. E foi onde, junto de outras duas colegas e nossos orientadores, idealizamos a formula3D, em outubro de 2022. Nós não sabíamos exatamente como transformar a nossa pesquisa em um produto para o mercado, mas começamos mesmo assim e está dando certo”, finaliza.

Colaborou: Estagiária Eduarda Beulke Gomes

Formula3D




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