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Mestrado e Doutorado em Desenvolvimento Regional

O PPGDR ao longo de sua trajetória vem desenvolvendo, de forma continuada, um conjunto de projetos e de atividades de inserção social que alcançam tanto as instituições, organizações sociais e comunidades mais próximas, através da realização de trabalhos de pesquisa e extensão, de palestras e de eventos, quanto comunidades de outras regiões através de palestras e de publicações de docentes e de alunos, bem como através da formação de alunos e da atuação profissional dos egressos do Programa.

 

O projeto de pesquisa e extensão “Banco de Dados Regional do Vale do Rio Pardo” é uma ação do Observa-DR, coordenado pelo professor Rogério Silveira, e conta também com a participação dos professores Grazielle Brandt e Silvio Arend, bem como de alunos do PPGDR, e bolsistas de iniciação científica. O projeto começou a ser desenvolvido em 2012 e está organizado com base no recorte territorial da região de atuação do COREDE do Vale do Rio Pardo (VRP), com a qual o PPGDR tem interagido e atuado na realização de diagnósticos regionais e na elaboração de planos de desenvolvimento regional. Assim, integram essa base territorial regional os 24 municípios que constituem o VRP. Já o recorte temporal contemplado é aquele relativo ao período entre 1995 e os anos mais recentes, cujos dados já estão disponibilizados pelas diferentes instituições governamentais que os coletam. O Banco de Dados está organizado a partir dos seguintes eixos temáticos: a Configuração Físico-territorial; a Demografia; os Indicadores sociais; a Economia; e a Agropecuária. Este acervo de dados e informações está disponível para download em forma de planilhas, notas interpretativas, gráficos e mapas temáticos selecionados, através do Portal do Observa-DR. O projeto também disponibiliza ao público acadêmico e em geral um conjunto de dados secundários e informações sobre aspectos econômicos, sociais, demográficos e geográficos do VRP, de modo a contribuir com o processo de planejamento territorial da região. Também prevê a realização de oficinas gratuitas que visam capacitar a comunidade regional a como melhor acessar e utilizar os dados secundários disponibilizados pelo projeto. Em 2016, os pesquisadores realizaram o levantamento e a organização de dados sobre os movimentos migratórios pendulares para trabalho e para estudo entre os municípios da região, bem como sobre a dinâmica da rede urbana dessa região. O objetivo é oferecer dados e informações atualizadas aos pesquisadores, gestores públicos, organizações, cidadãos e a todos os demais interessados, de modo a qualificar o debate, a definição e a avaliação de políticas e processos de desenvolvimento e de planejamento regional.

 O projeto analisa o papel de comando regional das cidades médias de Santa Cruz do Sul e de Lajeado na rede urbana e no território da região dos Vales. Espera-se assim buscar compreender melhor a relação entre a configuração e o funcionamento das áreas urbanas funcionais e da rede urbana regional e a dinâmica de coesão e desenvolvimento territorial na região dos Vales. O objetivo também é o de contribuir com o processo de planejamento territorial dessa região, já que ela corresponde a Região Funcional 2, definida pela regionalização funcional adotada pelo Rio Grande do Sul, para fins de planejamento territorial. Os resultados da pesquisa serão apresentados para os COREDES do VRP e do Vale do Taquari, que atualmente estão implementando a atualização dos seus Planos Regionais de Desenvolvimento.

O PPGDR mantém importante interação com o COREDE do VRP, instituição que reúne um conjunto representativo de instituições da sociedade civil, prefeitos municipais, organismos do RS que atuam na região do VRP. O PPGDR tem participado ativamente, através do trabalho dos docentes Rogério Silveira, Grazielle Brandt, Silvio Arend e Rosí Silveira entre outros docentes com participações mais eventuais, das ações de planejamento regional coordenadas pelo COREDE. Uma ação que merece ser destacada é quanto ao processo de Planejamento Estratégico de Desenvolvimento Regional do Estado do RS, coordenado pela Secretaria Estadual de Planejamento e implementado pelo Fórum dos Conselhos Regionais de Desenvolvimento. Tal participação tem sido diversa, seja assessorando o governo estadual e o Fórum dos COREDEs, coordenando a elaboração de diagnósticos técnicos, assessorando a realização de planos estratégicos de desenvolvimento, ou através de palestras em eventos dos COREDES, relacionados com planejamento do Estado, através da consolidação dos diversos processos territoriais. Em todas essas atividades, sempre que possível, os professores têm proporcionado a oportunidade aos alunos do PPGDR de acompanharem e colaborarem nas atividades, tornando o Programa, e consequentemente, a UNISC, participantes ativos nas discussões sobre e formulação de políticas para o Desenvolvimento Regional. Nos anos de 2016 e 2017 o PPGDR coordenou o projeto de atualização do Plano Estratégico de Desenvolvimento Regional do COREDE VRP, sob a coordenação do professor Rogério Silveira e a participação de mais três docentes, doutorandos e estudantes bolsistas de iniciação científica e de extensão da UNISC. Durante o ano, o grupo elaborou um diagnóstico técnico, coordenou a análise situacional e na sequência o planejamento em si para a ação do COREDE nos próximos 15 anos, com a definição de estratégias regionais, a elaboração de uma carteira de projetos prioritários para a região, e a construção de um sistema de gestão e governança para a implementação e avaliação do plano estratégico regional. Em todas as etapas houve consulta à sociedade civil e participação conjunta da direção do COREDE, totalizando a realização 06 assembleias públicas, com a participação de diversos representantes da sociedade civil e de órgãos públicos existentes na região. Além disso, doutorandos do PPGDR que residem e atuam em outras regiões do RS e se relacionam com os respectivos COREDES destas regiões, atuaram diretamente, integrando ou coordenando equipes responsáveis pela elaboração do Planejamento Estratégico destas regiões, assim nomeadas: COREDE CAMPANHA, COREDE NOROESTE COLONIAL, COREDE MISSÕES, COREDE VALE DO TAQUARI, denotando a relação estreita e histórica que o PPGDR tem com o planejamento regional no RS. Vale o destaque que essa simbiose se manifesta também na participação de docentes e estudantes do programa nas direções dos Conselhos ao longo de sua existência, desde 1994.

 O projeto do Arranjo Produtivo Local da Agricultura Familiar tem como o objetivo apoiar as ações da governança para promover o desenvolvimento do APL de Agroindústria e Alimentos da Agricultura Familiar do VRP, através de ações articuladas e cooperadas para facilitar o acesso dos agricultores familiares aos recursos de políticas públicas municipais, estaduais e federais e organizar a cadeia de produção e comercialização de alimentos in natura, com processamento mínimo e agroindustrializados. Desde janeiro de 2016 os professores Virginia Etges, Erica Karnopp, Cidonea Deponti e Silvio Arend juntamente com a Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da UNISC assumiram a gestão do APL, tendo em vista a relevância dessa iniciativa para o desenvolvimento da região do VRP. Nessa região, conforme dados de 2010 do OBSERVA-DR, o percentual de população no meio rural é 36,87%, acima do verificado no RS que é de apenas 14,90%. Já os estabelecimentos rurais chegam a um total de 38.131propriedades, os quais em sua maioria, levando-se em conta a área média de 26,99 ha, são de agricultores familiares e potenciais produtores de alimentos. Diante disso, o grande desafio da região é aglutinar os esforços de entidades que trabalham com a agricultura familiar para buscar, em conjunto, soluções e alternativas para este público específico, pois ano a ano presencia-se o envelhecimento e a redução da população rural, principalmente, por jovens filhos desses agricultores que migram para os centros urbanos atraídos pela esperança de encontrar uma condição de vida melhor do que possuem no meio rural. Com esta perspectiva, o APL VRP, formado por um conjunto de mais de 80 entidades que constituem um vigoroso tecido social da região busca, através de uma governança participativa, articular e realizar ações que visam aumentar significativamente à produção de alimentos, já que esta não é a principal atividade agropecuária do VRP, visto que o tabaco ainda é predominante. Neste sentido, a governança do APL VRP definiu como objetivo o fomento da produção de alimentos pela agricultura familiar, agregando valor com processamento mínimo e agroindustrialização de parte dessa matéria prima produzida, ao mesmo tempo desenvolvendo mecanismos de comercialização para esta produção. Diversas ações de cooperação estão sendo pensadas e/ou executadas, tais como: a elaboração de projetos de financiamento para incentivar a implantação de novas agroindústrias e/ou modernizar as existentes; a realização de cursos de capacitação, palestras a visitas técnicas de formação profissional para suprir as deficiências de mão de obra qualificada ora existentes; apoio à participação das agroindústrias familiares em estandes coletivos nas feiras locais ou regionais para divulgação de sua produção e promoção dos negócios; apoio à formalização de empreendimentos através de consultoria coletiva às agroindústrias e produtores; articulação para busca de solução aos municípios interessados em ampliar a comercialização dos produtos de suas agroindústrias em todo território nacional; incentivo à ampliação da produção de alimentos com o objetivo de atender a demanda regional por alimentos, diminuindo custos com a logística referente ao transporte de produtos de outras regiões para abastecer o consumo interno, dentre outras ações coletivas. Além disso, as instituições que compõem a governança também estarão comprometidas em fazer com que esses agricultores familiares se apropriem das políticas públicas das esferas municipais, estadual e federal para potencializar a produção de alimentos. Em 2017 o doutorando do PPGDR, João Paulo Reis Costa assumiu a Coordenação do APL, dado o seu envolvimento ativo com o projeto e também pela sua trajetória de trabalho junto à Escola da Família Agrícola de Santa Cruz do Sul e junto aos movimentos sociais do meio rural da região. Tal fato merece ser destacado, pois revela o compromisso também dos discentes do PPGDR com o desenvolvimento das regiões onde atuam. 

 A pesquisa "Segregação Urbana e Desigualdade no Acesso às Políticas Públicas em Cidades Médias", desenvolvida pelos professores Cláudia Tirelli, Sílvia Areosa e Marco Cadoná, objetiva investigar os efeitos do deslocamento das populações de baixa renda, resultante da implementação do Programa Minha Casa Minha Vida na cidade de Santa Cruz do Sul/RS, sobre o acesso dessas populações a bens e serviços públicos. A partir dos resultados advindos dessa investigação pretende-se subsidiar o poder público municipal através do fornecimento de análises e informações a respeito das condições de vida dos moradores dos conjuntos habitacionais fruto dessa política pública, possibilitando a qualificação e o aprimoramento da política. A pesquisa prevê, ainda, a devolução dos resultados para as próprias comunidades investigadas, o que permite que essas percebam de forma coletiva os seus problemas e possam embasar as suas demandas por melhoria nos serviços públicos nos seus locais de moradia.

 Este projeto de pesquisa se insere na comunidade, tendo em vista que considera-se que as dificuldades e os limites existentes na organização dos agricultores, como os aspectos legais e organizacionais das agroindústrias devem ser relativizados e vinculados às questões políticas e históricas desse setor, bem como, com sua capacidade de articulação regional e nacional na construção de redes eficazes de apoio mútuo. Compreendê-las através de um viés interdisciplinar, destacando suas características e tendências mais recentes a fim de contribuir para a formulação de políticas públicas de desenvolvimento para a agricultura familiar, é o que justifica a inserção na comunidade através de levantamento de dados empíricos, reuniões, visitas, etc.

 O Grupo de Estudos e Pesquisas em Envelhecimento e Cidadania (GEPEC) é Coordenado pela Professora Silvia Areosa e atua na região do VRP, realizando ações de pesquisa e extensão. Dentre as principais atividades destaca-se a participação em fóruns representativos da sociedade, na temática do Envelhecimento Humano, como a representação junto ao Conselho Municipal do Idoso (Santa Cruz do Sul) e Fórum Gaúcho das IES, com ações voltadas ao Envelhecimento (RS). O grupo desenvolve ações de extensão junto a Universidade Aberta para o Adulto Maior (UNIAMA) na UNISC, recebendo idosos da região para uma proposta de educação permanente. Atualmente as atividades de pesquisa estão centradas na população idosa que reside no meio rural do município de Santa Cruz do Sul, buscando identificar o perfil socioeconômico e demográfico, localizando e situando espacialmente a referida população, bem como investigando suas representações sociais sobre a velhice e os traços culturais presentes nas ideias, afetos, crenças, reflexões e valores. Essa pesquisa foi uma demanda do Conselho Municipal do Idoso e possui financiamento do Fundo do Idoso.

 

O Professor Olgário Vogt vem atuando na área de História do Rio Grande do Sul no curso de extensão UniAMA que integra o Programa de 3ª Idade na UNISC. A Professora Silvia Areosa idealizadora da proposta leciona no curso desde sua fundação a disciplina de Memória e, vem integrando alunos de mestrado e graduação, numa proposta de troca de experiências entre gerações. Trata-se de um curso de extensão multidisciplinar de dois anos(540h/aula), com o objetivo de oferecer um espaço de educação permanente para pessoas a partir de 60 anos. O UniAMA soma-se às pesquisas e demais ações de extensão realizadas a partir do PPGDR em conjunto com outros departamentos e setores da UNISC no atendimento e na produção de conhecimento sobre o envelhecimento para a população idosa. A UNISC foi uma das instituições de ensino superior gaúchas pioneira na atenção ao idoso, seja nos projetos pedagógicos dos cursos de graduação na área da saúde, seja no oferecimento de vagas especiais nos cursos de graduação para idosos ou em pesquisas sobre o tema, o que culminou, no ano de 2012, na criação da UniAMA.

 

 Desde o ano de 2012 a UNISC, através do trabalho de pesquisa e de extensão de um grupo de professores e pesquisadores, contribui para uma reflexão sobre trabalho e desafios em termos de qualificação profissional em Comissões Municipais de Emprego dos municípios do VRP. Nessa perspectiva, o professor Marco Cadoná participou da coordenação de uma pesquisa (2012-2013) que investigou as condições de empregabilidade dos jovens em Santa Cruz do Sul e os desafios em termos de qualificação profissional. A referida pesquisa foi motivada por preocupações, tanto da Comissão Municipal de Emprego do município de Santa Cruz do Sul, quanto do SINE/SCS (Sistema Nacional de Emprego, Agência de Santa Cruz do Sul), com o intuito de discutir uma política de qualificação profissional para os jovens não somente do município, mas, também, dos municípios que ficam em seu entorno (Vera Cruz, Sinimbu, Vale do Sol, Rio Pardo). Também durante os anos de 2015 e 2016, o referido professor realizou pesquisa sobre Dinâmicas dos mercados urbanos de trabalho na Microrregião de Santa Cruz do Sul, cujos dados foram disponibilizados para a Comissão apoiar suas reflexões e suas decisões.

 A pesquisa da Cesta Básica Nacional é realizada mensalmente nos principais pontos de venda (supermercados) de Santa Cruz do Sul pelo docente Silvio Arend. Os dados coletados oferecem à população informações sobre a evolução dos preços no próprio município, através de sua divulgação pelos órgãos de imprensa local (jornais Gazeta do Sul, Diário Regional e Riovale Jornal; rádios Santa Cruz AM 550 e Gazeta AM 1170 e no canal de televisão RBS TV dos Vales), bem como através de entrevistas para os referidos meios de comunicação, momento em que são discutidas questões relacionadas ao comportamento da economia brasileira em geral e da inflação em especial. A Cesta Básica Nacional relaciona um conjunto de alimentos que seria suficiente para o sustento e bem-estar de um trabalhador adulto ao longo de um mês, tomando como base o Decreto Lei nº. 399, de 30 de abril de 1938, que regulamenta a Lei nº. 185 de 14 de janeiro de 1936 – da instituição do Salário Mínimo no Brasil. Este Decreto estabelece que o salário mínimo é a remuneração devida ao trabalhador adulto, sem distinção de sexo, por dia normal de serviço, capaz de satisfazer, em determinada época e região do país, às suas necessidades normais de alimentação, habitação, vestuário, higiene e transporte. Com um custo de R$ 351,45 para a Cesta Básica Nacional em Dezembro de 2016, um trabalhador de Santa Cruz do Sul que recebe o Salário Mínimo precisaria ter trabalhado 87,86 horas para adquirir o conjunto de 13 produtos. A partir dos gastos com alimentação é possível estimar o valor do Salário Mínimo necessário para o atendimento das necessidades básicas do trabalhador e de sua família, seguindo a mesma metodologia utilizada pelo DIEESE. O valor do Salário Mínimo em Santa Cruz do Sul para o mês de Dezembro de 2016, pago no início de Janeiro de 2017, deveria ter sido de R$ 2.930,42 para uma família composta por dois adultos e duas crianças.

 

O NUPES da UNISC, coordenado pela professora Claudia Tirelli, foi criado em 1993, com a finalidade de atender as demandas por serviços de pesquisas de opinião e pesquisas sociais de Instituições públicas ou privadas da região de abrangência da Universidade. Além dessas atividades de prestação de serviços, o Núcleo vem ampliando a sua atuação junto à comunidade acadêmica da UNISC em atividades de pesquisa e de extensão. Nesse sentido, coloca-se como um espaço através do qual estudantes, professores e comunidade acadêmica em geral podem obter assessorias, tanto no que diz respeito ao planejamento de pesquisas, quanto em relação à realização de trabalhos de campo (preparação do trabalho de campo, utilização de técnicas e instrumentos de pesquisa). O Núcleo tem realizado com a comunidade acadêmica em geral, cursos e oficinas sobre metodologias, técnicas e instrumentos de pesquisa utilizados nas ciências sociais e curso de SPSS-software utilizado em pesquisas quantitativas. O NUPES disponibiliza um banco de indicadores sociais, que contempla toda a região de abrangência da UNISC, a partir do qual estudantes, professores, comunidade regional pode acessar dados (demográficos, sociais, econômicos, políticos) dos municípios da região. Também, como forma de contribuir com a comunidade acadêmica, o Núcleo tem um projeto denominado Cursos e palestras sobre métodos (qualitativos e quantitativos) e técnicas de pesquisas nas ciências sociais e humanas, cujo objetivo é oferecer oficinas, seminários, conferências e cursos. Desse modo, o NUPES vem se constituindo como um espaço de estudo e de reflexão sobre pesquisa social, abrangendo metodologias quantitativas e qualitativas e técnicas de levantamento e análise de dados utilizados nas ciências sociais, constituindo-se em uma interface de extrema relevância para o PPGDR.

 O projeto tem forte inserção social na medida em que viabiliza ações de comunicação social, com vistas à divulgação de informações e de conhecimento via mídias - comercial e alternativas - sobre a atuação de uma ONG e uma cooperativa de agricultores ecologistas fortemente inserida na região, com mais de 30 anos de existência, pioneira na discussão e na prática da Agroecologia. Permite, por meio de suas ações, que a população da região conheça uma alternativa de produção e de consumo de alimentos que respeita o meio ambiente e, nele as pessoas (agricultores e consumidores). Dada a característica do território onde se situa, cuja marca produtiva principal é o cultivo e o beneficiamento do tabaco com vistas à produção de cigarro, o projeto de extensão põe em evidência que outros modelos de agricultura, assim como de alimentação, são possíveis, dando condições às organizações assessoradas de alcançarem visibilidade pública por meio da mídia e disputarem sentidos entre os modelos de desenvolvimentos propostos para a região.

 O projeto apresenta relevância para a sociedade, especialmente a localizada na região de maior abrangência da Universidade de Santa Cruz do Sul, pela sua temática, cara na contemporaneidade. Por tratar do consumo das tecnologias de comunicação e informação por um certo grupo social. As chamadas TIC ocupam uma centralidade nunca antes identificada na história da humanidade, sendo se não os principais meios, um dos principais responsáveis pela distribuição da informação e do conhecimento, construindo representações sobre o mundo, interferindo nos modos de vida e de pensamento das sociedades. Estudar a presença, os usos e a força das TIC e seus conteúdos é fundamental para compreender as mentalidades e cotejar este conhecimento com a discussão sobre desenvolvimento regional. Este estudo se traduz em inserção social na medida em que instrumentaliza os pesquisadores que nele se envolvem para sua ação enquanto docentes e orientadores de graduação e de pós-graduação e condutores de outras futuras pesquisas e de ações de extensão. Um exemplo é o projeto de extensão coordenado pela mesma pesquisadora, responsável por assessorar uma organização não governamental e uma cooperativa de agricultores familiares ecologistas nas suas ações de divulgação de informação e conhecimento junto às mídias regionais. Outra forma de inserção social é interna à própria pesquisa, que é dar lugar e voz aos sujeitos pesquisados. O caráter da pesquisa, sociocultural, e a metodologia adotada, de entrevistas realizadas nas propriedades rurais, com os integrantes das famílias pesquisadas, permite a reflexividade, ou seja, os sujeitos, ao falarem de si, do seu cotidiano e de suas práticas, refletem sobre os mesmos.

 Esse projeto de pesquisa e extensão visa a analisar o uso e a apropriação de tecnologias de informação e de comunicação para a agricultura familiar no Vale do Caí. Dentre os objetivos específicos estão: a definição do perfil socioeconômico dos agricultores familiares do Vale do Caí, a verificação do uso e da apropriação das TICs (tecnologias de informação e de gestão) pelos agricultores familiares, e a construção participativa (equipe do projeto e agricultores participantes) de planilhas de gestão e de controle da propriedade. O projeto é coordenado pelos docentes do PPGDR, Cidonea Deponti e Silvio Cezar Arend, e conta com a parceria da EMATER/RS-ASCAR, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município de Montenegro-RS, das escolas rurais situadas no Vale do Caí, da Associação Comercial e Industrial de Montenegro e Pareci Novo, da secretaria do Campus de Montenegro, dos Secretários de Agricultura dos municípios do Vale e do Centro de Treinamento da Emater (CETAM). Além da participação de alunos dos cursos de graduação da UNISC, doutorandos do PPGDR e dois bolsistas: um PUIC/UNISC e um PROBITI/FAPERGS. Para a realização da pesquisa considerou-se o número total de estabelecimentos de agricultores familiares na região, que de acordo com Censo Agropecuário 2006 correspondia a 9.416. Destes foram escolhidos os 8 municípios com maior número de estabelecimentos de agricultura familiar, a saber: Montenegro, Bom Princípio, Brochier, São Sebastião do Caí, Maratá, Pareci Novo, Salvador do Sul e Feliz, totalizando uma amostra de 375 agricultores, tendo como critério para seleção a caracterização do agricultor como familiar, de acordo com a Lei nº 11.326/96. Para esses agricultores foram aplicados formulários de entrevistas semiestruturados com informações socioeconômicas e culturais que serviram de base para a formação do perfil dos agricultores estudados e questões relativas ao uso e a apropriação das TIC. Essas informações foram tabuladas no Programa Statistical Package for Social Sciences (SPSS). As atividades de extensão desenvolvidas através do projeto contemplam os seguintes aspectos: a) oficina de integração com os agricultores sobre a utilização das principais tecnologias de informação e de comunicação, especialmente o uso da internet, e-mail, acesso a sites, comunicadores instantâneos e demais funcionalidades básicas existentes; b) realização de oficina de integração com palestra sobre a importância da educação financeira e do controle dos gastos; c) construção de planilhas eletrônicas (Excel), de forma coletiva, tendo-se visando facilitar o processo de gestão da propriedade e dos custos de produção através do acesso às informações sobre o estabelecimento rural; d) acompanhamento dos agricultores in loco visando ao monitoramento e o auxílio no registro das informações; e) realização de palestras sobre temas relacionados com as perspectivas de mercado, os custos de produção, a gestão financeira e contábil da propriedade rural. Para tanto, foram convidados palestrantes externos que contribuíram no processo de discussão e compreensão sobre o mercado de citros, cultura predominante na região.

 O Núcleo de Extensão Tecnológica e de Gestão Rural para a Agricultura Familiar do Vale do Caí está vinculado ao Projeto “O uso e a apropriação de tecnologias pela agricultura familiar no Vale do Caí-RS”. O Núcleo também conta com a parceria da EMATER/ASCAR-RS, do CETAM - Montenegro/EMATER, dos alunos dos cursos de graduação em Contábeis e Administração do Campus de Montenegro/UNISC, da ACI/Montenegro-Pareci Novo, da Secretaria do Campus de Montenegro e das Secretarias de Agricultura dos municípios do Vale do Caí. O Núcleo foi criado a partir do Projeto já referido em que se verificou, através dos resultados da pesquisa, que havia grande demanda dos agricultores da região por mecanismos e instrumentos de controle e de gestão rural da propriedade. O Núcleo possui os seguintes objetivos: receber demandas de agricultores familiares do Vale do Caí-RS relacionadas à gestão rural; auxiliá-los nos processos de registro das informações, controle gerencial e de custos; realizar o acompanhamento in loco das propriedades dos agricultores familiares que buscarem a Universidade; e desenvolver um sistema de gestão rural da propriedade adequado às necessidades dos agricultores familiares. A equipe do projeto caracteriza-se como interdisciplinar, pois agrupa professores e acadêmicos de diversas áreas do conhecimento, dentre elas a economia, a administração, o serviço social, a contabilidade e os sistemas de informação. O trabalho realizado pela equipe do Núcleo tem procurado avançar em termos de intervenção, no sentido de construção coletiva, ou seja, de aproximar os sistemas de sentido, de aproximar a Universidade à Comunidade, o conhecimento científico ao conhecimento popular. O Núcleo também realizou, participou e auxiliou os agricultores familiares em diversas atividades, dentre elas destacam-se: a) Participação na Audiência Pública Acesso à Telefonia Móvel e Internet – nesta oportunidade foi apresentado para o público presente o resultado da pesquisa que originou o Núcleo. Esses resultados forma encaminhados para a Assembleia Legislativas aos cuidados do Deputado Elton Weber para dar subsídios à construção do Projeto de Lei sobre Telefonia Móvel no Meio Rural; b) Auxílio para participação de dois agricultores vinculados ao Núcleo na Chamada Pública do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) do Instituto Federal de Feliz; c) Participação e acompanhamento dos agricultores ao Seminário sobre Agroindústria realizado pelo SEBRAE; d) Participação do Seminário sobre a Produção Agroindustrial Artesanal realizado pela FETAG e UERGS e elaboração de documento que será enviado ao Ministério Público Estadual para discussão sobre a situação da agricultura familiar; e) Participação do Dia C da Ciência com a Oficina de Integração sobre Empreendedorismo, Cooperação e Motivação para o Trabalho conduzida por Carlos Esau; f) Participação em dois Programas de Rádio, rádio América e Rádio Viva para divulgação da palestra acima referida em alusão ao Dia C da Ciência. 

 O projeto de pesquisa e extensão Adaptação à mudança do clima no COREDE Vale do Rio Pardo, financiado com recursos próprios da UNISC para o biênio 2016/17, busca por um lado sistematizar o conhecimento produzido na UNISC quanto ao tema da adaptação aos impactos da mudança do clima, e por outro lado, apresentar este conhecimento, em conjunto com o conhecimento disponibilizado pela pesquisa nacional e internacional, através de uma estratégia de comunicação e divulgação científica aos atores sociais da região do Vale do Rio Pardo. Coordenado pelo professor Markus Brose, este projeto interdisciplinar integra ações do Núcleo de Gestão Pública (NGP), do projeto de Pagamento por Serviços Ambientais do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Ambiental, e do projeto de Justiça Ambiental do Departamento de Administração. Em 2016 foi ampliada a parceria do NGP com a Defesa Civil do município de Santa Cruz do Sul, para publicação de um encarte de jornal de quatro páginas, tendo como tema os desastres naturais em Santa Cruz do Sul na última década e suas relações com a mudança climática. Este encarte foi produzido em 5.000 exemplares, e encartado no jornal Arauto, no município de Vera Cruz, e Tribuna Popular, no município de Sinimbu, atingindo cerca de 10.000 leitores. Ambos os municípios margeiam o Arroio Andréas, na bacia do Rio Pardinho, no qual a UNISC vem executando o primeiro projeto de Pagamento por Serviços Ambientais do estado, o projeto Protetor das Águas. Além disso, o encarte foi utilizado como material didático em oficina realizadas junto ao Núcleo Comunitário de Defesa Civil (NUDEC) no bairro Várzea. O lançamento do encarte foi utilizado como evento de início da formação da rede Radialistas e Jornalistas pelo Clima, no intuito de fornecer em intervalos regulares informações de base científica aos formuladores da opinião pública regional. Este evento foi realizado em articulação com a Defesa Civil municipal, bem como com o Corpo de Bombeiros. Sistematizando a base de dados da Defesa Civil, foi produzido o Atlas de Desastres Naturais de Santa Cruz do Sul (1996-2016), a ser utilizado a partir de 2017 como material didático junto aos estudantes de comunicação da UNISC, bem como junto aos professores e alunos da rede pública de ensino. Foram realizadas aulas piloto de introdução do tema mudança climática na graduação, na disciplina Extensão Rural no Departamento de Engenharia Agrícola, bem como no PPGDR, onde uma aula da disciplina Planejamento e Estratégias de Desenvolvimento Regional foi dedicada ao tema. Além disso, visando contribuir ao debate pela comunidade externa da UNISC, foi criado site para divulgação dos resultados da pesquisa. Em parceria com a Defesa Civil municipal, e material fornecido pelos jornais locais, foi publicado livro didático em formato de e-book, o 'Atlas de Desastres Naturais do Município de Santa Cruz do Sul'. Para o público interno da UNISC foi internalizado conteúdo sobre impactos da mudança climática no RS nas disciplinas de graduação 'Extensão Rural' e 'Introdução à Sociologia', bem como no PPGDR na disciplina 'Planejamento e Estratégias de Desenvolvimento Regional'. Para 100 convidados, entre estudantes, funcionários e professores foi realizado o TEDxUNISC, cujas palestras gravadas estão disponibilizadas no canal Youtube para TEDxTalks.

 O projeto de pesquisa não tem uma inserção direta na comunidade, mas indireta. Através dele se propõe alternativas para os gestores municipais, de uso racional da água através do aproveitamento e detenção no lote das águas de chuva minimizando o impacto na drenagem urbana, o que proporciona menor possibilidade de inundações e o exercício da função social da propriedade, conforme o Estatuto das Cidades.

 

O curso de Especialização Educação do Campo e Desenvolvimento Regional, em conjunto com a Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (EFASC) foi uma ação importante de inserção social realizada em 2016. O curso tem como objetivo contribuir na qualificação do processo ensino-aprendizagem no contexto da Educação do Campo, através da formação de docentes para atuarem nas Escolas de Família Agrícola da região e que estejam aptos a compreenderem a relevância do papel da Escola do Campo no processo de formação de jovens que vivem no meio rural. O curso foi aprovado pelo CONPPEX da UNISC em 2016, e teve início no primeiro semestre de 2017, contando com 20 alunos provenientes da região do Vale do Rio Pardo.

 

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