Sobre a Obra
O abraço da terra (30cmx42cm, 2026)
Há um lugar na matéria onde os mundos se encontram como coexistência. Na textura do papelão ondulado, rasgado pela mão que experimenta, e no trançado que une o amarelo ao fogo, o que se colhe não é apenas cor: é território. O abraço da terra é um manifesto tátil acerca do sentido de habitar. As silhuetas que ali dançam trazem na pele os grafismos da memória, heranças geométricas que contam histórias de pertencimento e ancestralidade. Elas não são figuras isoladas; são modos de ser que a educação acolhe.
Em um cenário educativo que busca impacto e inserção social, essa composição nos lembra que educar não é uniformizar o traço, mas criar o espaço para que as cosmovisões possam se estender e se tocar. Os contornos simplificados dessas humanidades de papel: seus braços não se fecham sobre si. Há um gesto primevo e deliberado de estender as mãos. Uma mão que se estende para o outro é a própria definição de inserção - o momento em que a alteridade deixa de ser distância e passa a ser relação. Um corpo acolhe o outro, sustentado pelo ritmo de linhas e planos que vibram como batimentos de uma mesma terra compartilhadora.
Como essas figuras se entrelaçam nessa busca por conexão, algo maior as envolve. As formas que moldam e sustentam as laterais da composição erguem-se como árvores frondosas, uma natureza-mãe estruturada em tramas e texturas que emoldura e protege o coletivo. Há uma ecologia profunda nessa imagem: os seres humanos cuidam de si ao acolherem o próximo, e todos, sem exceção, são acolhidos e aninhados pela terra que os sustenta. A natureza não é o fundo da cena; ela é o próprio abraço que torna a vida possível.
A grande linha curva escura que atravessa o espaço funciona como o horizonte de uma educação viva. Uma educação que gera impacto social é justamente aquela que se reconhece como esse elemento de ligação - o chão firme e fecundo onde diferentes povos, infâncias e saberes podem estender as mãos e coexistir.
O Artista
Ivan Jeferson Kappaun: Doutor e Mestre em Educação - Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Santa Cruz do Sul (PPGEdu/UNISC) - linha de pesquisa Linguagem, Experiência Intercultural e Educação. Integrante do Grupo de Estudos: Brincar, Narrar, Desenhar: experiências lúdicas de linguagem e docência na Educação Básica. Graduado em Pedagogia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e em Artes Visuais - Bacharelado e Licenciatura Plena pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Professor de Artes na Escola Municipal de Ensino Fundamental Professor José Ferrugem da rede municipal de ensino de Santa Cruz do Sul e professor de Artes na Escola de Educação Básica Educar-se (Apesc).